Porque é que os seus colaboradores compreendem inglês, mas continuam a ter dificuldade em falar?
Muitas organizações deparam-se com uma situação familiar: os colaboradores compreendem inglês razoavelmente bem, mas ficam hesitantes ou particularmente silenciosos quando têm de o falar.
Podem acompanhar uma reunião internacional, compreender um e-mail ou relatório, ou assistir a uma apresentação sem grandes dificuldades. No entanto, quando precisam de explicar um problema, expressar uma opinião ou responder a uma pergunta inesperada, a sua confiança muda.
Para os responsáveis de Recursos Humanos e de Formação e Desenvolvimento, esta situação pode ser difícil de avaliar. Um colaborador pode aparentar ter um bom nível de inglês, mas continuar a ter dificuldades na comunicação quotidiana no trabalho.
A razão é simples: compreender inglês e utilizar o inglês de forma eficaz são competências diferentes.
Compreender inglês não é o mesmo que falar inglês
A compreensão é uma competência recetiva. Quando os colaboradores ouvem ou leem, podem utilizar o contexto, reconhecer linguagem familiar e ter tempo para processar aquilo que estão a ouvir ou a ler.
Falar exige algo mais.
Os colaboradores têm de encontrar as palavras certas, organizar os seus pensamentos e responder a outra pessoa, muitas vezes em poucos segundos. Podem ter de fazer tudo isto enquanto ouvem atentamente, pensam sobre o assunto em discussão e decidem como o expressar de forma adequada.
Considere um profissional que consegue ler confortavelmente um relatório em inglês. Explicar as suas principais conclusões aos colegas numa reunião é um desafio diferente. O colaborador tem de selecionar a informação relevante, explicá-la claramente, responder a perguntas e, eventualmente, apresentar uma opinião ou recomendação.
É por isso que a capacidade de um colaborador compreender inglês pode ser consideravelmente mais desenvolvida do que a sua capacidade de o falar.
Porque é que os colaboradores podem ter dificuldade em falar?
Raramente existe uma única razão. Vários fatores podem contribuir para a diferença entre compreender inglês e falar inglês com confiança.
1. Falar exige uma utilização ativa da língua
Reconhecer uma palavra quando outra pessoa a utiliza é mais fácil do que produzi-la espontaneamente.
Um colaborador pode compreender uma expressão como “I would suggest that we…” ao ouvi-la numa reunião, mas ter dificuldade em produzir uma expressão semelhante no momento.
Falar exige que os colaboradores recuperem e combinem a linguagem rapidamente. Esta capacidade desenvolve-se através da prática e da utilização repetida, e não apenas através do conhecimento de vocabulário e gramática.
2. Podem não ter oportunidades suficientes para falar
Os colaboradores podem ter contacto regular com o inglês sem, na realidade, o falarem muito.
Podem ler relatórios, escrever e-mails, utilizar software em inglês ou comunicar com colegas internacionais por e-mail. Mas, se a maioria das conversas no local de trabalho tiver lugar em português, podem ter poucas oportunidades para praticar a expressão oral.
Isto pode criar uma diferença evidente entre a sua compreensão e a sua confiança ao falar.
Por isso, oportunidades regulares para falar são uma parte importante de uma formação eficaz de inglês para colaboradores.
3. O receio de cometer erros pode impedir a participação
Alguns colaboradores sabem o que querem dizer, mas hesitam porque receiam cometer erros.
Podem preocupar-se excessivamente com a gramática, a pronúncia ou a escolha da palavra perfeita. Numa reunião importante, sobretudo perante colegas seniores, clientes ou parceiros internacionais, isto pode fazer com que falar pareça arriscado.
Como resultado, um colaborador pode optar por não participar, mesmo quando tem algo importante a dizer.
Um ambiente de formação de apoio permite aos participantes praticar, cometer erros e receber feedback construtivo sem se sentirem constrangidos. A confiança tende a crescer quando percebem que conseguem comunicar com sucesso sem terem de falar inglês de forma perfeita.
4. O Inglês Geral pode não ser suficiente para o trabalho
Um colaborador pode ter uma base razoável de Inglês Geral, mas ainda não dominar a linguagem necessária para a sua função específica.
As exigências de comunicação de alguém que trabalha em finanças, engenharia, saúde, hotelaria ou procurement podem ser muito diferentes.
Um colaborador pode sentir-se confortável a falar sobre assuntos do dia a dia, mas ter dificuldade em explicar um problema técnico, apresentar informações sobre um projeto, discutir dados financeiros ou negociar um acordo.
É aqui que o Inglês Profissional e o Inglês de Negócios podem proporcionar um foco mais relevante. A formação deve refletir as situações e as necessidades de comunicação que os colaboradores encontram no seu trabalho.
5. A comunicação no local de trabalho é imprevisível
As conversas profissionais raramente seguem um guião.
Um gestor pode preparar cuidadosamente uma apresentação, mas receber uma pergunta inesperada. Um colega pode interromper uma reunião com uma opinião diferente. Um cliente internacional pode pedir esclarecimentos ou questionar uma proposta.
Por isso, os colaboradores precisam de mais do que expressões memorizadas. Precisam de saber responder, esclarecer, fazer perguntas, explicar o seu raciocínio e adaptar a sua linguagem à medida que a conversa evolui.
O desenvolvimento destas competências de comunicação em inglês requer prática com situações realistas, e não apenas com exercícios previsíveis.
O local de trabalho torna o desafio maior
Na comunicação profissional, os colaboradores não estão simplesmente a demonstrar os seus conhecimentos de inglês. Estão a tentar alcançar um objetivo.
Podem precisar de resolver um problema, fazer uma recomendação, explicar uma decisão, chegar a um acordo ou manter uma relação profissional.
Por exemplo:
Um colaborador acompanha uma reunião internacional, mas participa muito pouco. Compreende a discussão, mas não sabe como entrar rapidamente na conversa.
Um profissional lê facilmente relatórios em inglês, mas tem dificuldade em explicá-los. A leitura permite tempo para processar a informação; uma apresentação exige que o colaborador a organize e comunique.
Um gestor compreende uma apresentação, mas hesita quando lhe fazem uma pergunta inesperada. A dificuldade pode estar em responder claramente sob pressão, e não em compreender a pergunta.
Um colaborador escreve e-mails eficazes, mas evita comunicar por telefone ou videochamada. A comunicação escrita permite tempo para planear e rever; falar exige uma interação imediata.
Estas situações mostram por que razão aumentar simplesmente os conhecimentos de Inglês Geral pode não resolver a verdadeira lacuna de comunicação.
Como uma formação eficaz pode ajudar
O objetivo da formação de inglês para empresas não deve ser simplesmente ensinar mais inglês. Deve ajudar os colaboradores a utilizar de forma mais eficaz o inglês que já conhecem, desenvolvendo simultaneamente as competências adicionais necessárias ao seu trabalho.
Uma formação eficaz pode incluir:
- Prática frequente da expressão oral, em vez de atividades ocasionais de conversação.
- Situações realistas do local de trabalho, incluindo reuniões, apresentações, discussões e negociações.
- Vocabulário profissional relevante, relacionado com as funções e os setores dos participantes.
- Feedback construtivo, que ajude os participantes a comunicar de forma mais clara e eficaz.
- Interação em grupos reduzidos, proporcionando mais oportunidades para falar e praticar.
- Objetivos de aprendizagem individualizados, reconhecendo que os colaboradores da mesma organização podem ter diferentes necessidades de comunicação.
O ambiente de formação também é importante. Os colaboradores precisam de oportunidades suficientes para praticar sem receio de constrangimento ou de serem constantemente corrigidos.
O objetivo não é eliminar todos os erros. É ajudar os colaboradores a comunicar de forma clara, confiante e eficaz nas situações que são importantes para o seu trabalho.
O que devem procurar as empresas num programa de formação de inglês?
Ao escolher um programa de formação de inglês para empresas, as organizações devem olhar para além da questão de saber se o programa ensina inglês.
Considere se o programa:
- se concentra nas situações de comunicação que os colaboradores realmente enfrentam;
- proporciona oportunidades significativas para falar;
- pode ser adaptado a diferentes níveis e necessidades profissionais;
- inclui linguagem relevante para o local de trabalho e para setores específicos;
- proporciona feedback útil e atenção individual;
- pode adaptar-se à medida que evoluem as necessidades de formação da organização.
O ponto de partida deve ser o próprio local de trabalho:
O que precisam os nossos colaboradores de conseguir fazer em inglês?
Quando essas necessidades estão claras, a formação pode ser concebida para desenvolver as competências linguísticas e de comunicação necessárias para as satisfazer.
Transformar conhecimentos existentes em comunicação eficaz
Os colaboradores que têm dificuldade em falar inglês não estão necessariamente a começar do zero. Em muitos casos, já possuem uma base útil. Compreendem conversas, leem documentos e reconhecem grande parte da linguagem de que necessitam.
O que pode faltar é a capacidade de aceder a esses conhecimentos e utilizá-los com confiança e espontaneidade quando a comunicação é importante.
A solução, por isso, nem sempre consiste simplesmente em ensinar mais vocabulário ou gramática. Pode passar por criar mais oportunidades para utilizar o inglês, praticar situações realistas do local de trabalho e desenvolver as competências de comunicação que transformam conhecimentos em capacidade de ação.
Para as organizações, a pergunta mais útil pode ser:
O que precisam os nossos colaboradores de conseguir fazer em inglês no trabalho — e a nossa formação ajuda-os a fazê-lo?
Esta mudança de perspetiva pode tornar a formação de inglês mais relevante tanto para os colaboradores como para a organização.
Na International English College (IEC), a formação em Inglês Profissional é desenvolvida em torno das necessidades de comunicação de empresas e instituições. A formação pode ser adaptada aos objetivos da organização, da equipa e dos profissionais, com formatos de formação adequados a diferentes necessidades do local de trabalho.
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